sexta-feira, setembro 21, 2007

Sonetos de Agosto passado

Sonetos malditos, queridos sonetos. Versos. Versos soltos, escritos aos poucos em terras distantes, palavras em verso, em verso vadio, atrevido, perdido, louco varrido, verso fodido de escrever quando tudo não passa de um verso mal-entendido.
Sonetos mal contados, metricamente rimados, aborrecidos ou divertidos, simplesmente descontraidos, escritos rimados mas quase chorados.
Versos que contam histórias que o tempo não consegue aparar.
Versos perdidos para passar o tempo...

MOTOQUEIRO DO CARAGO

Motoqueiro de Virago
Directamente do Estoril
É um motoqueiro do carago
Que hoje está em Arganil

Outra volta a Portugal
Vou seguindo sempre em frente
A estrada é sempre igual
Mas o caminho é diferente

Rumo virado a Norte
Num cavalo de ferro montado
Penso em algo que escrever

Que não conheço outra sorte
Mas mesmo sendo azarado
Vivo com fúria de viver

Arganil 06/08/2007


MORTE LENTA

Uma passagem pela Serra
Por estradas que nunca vi
Esta não é a minha terra
Eu preferia nem estar aqui

Desvio forçado a Moimenta
Que fica perto de Gouveia
Bebo a "mini" em morte lenta
Numa aldeia que é tão feia

O destino fez-se corrente
mas a vontade quebrou-lhe os elos
...e eu sei bem o que fazer

Vou ignorar esta gente
por caminhos de cabras e vitelos
quero é que se vão... lixar!

Moimenta da Serra 07/08/2007


SONHO ESQUECIDO

Despertei de um sonho passado
Vestido em passo ligeiro
O dia ainda vai começado
No bolso as chaves, tabaco e dinheiro

Desci até ao café
Na etapa fui o primeiro
Sem moto que vim a pé
Até ao largo do Cruzeiro

Uma bica e um Moscatel
Conversa tão corriqueira
Falei do que vi e vivi

Na boca o sabor a mel
Memória que foi da primeira
Num sonho que já me esqueci

Santa Eugénia (Alijó) 08/08/2007


A VINDIMA E O MOSTO

A correr o mês de Agosto
Depois das férias do trabalho
Vem a vindima e o mosto
...e em Setembro a Festa a que não falho

Venho ter a esta Aldeia
Mesmo com interferência
Faço o que trago na ideia
Com arte e condescendência

Tenho uma costela daqui
Aldeia do meu santuário
e a casa em frente à Igreja

Praticamente aqui cresci
Mas não ligo ao Santo Sudários
Que não há aqui quem o veja

Favaios, 11/08/2007


PEDRAS TOSCAS

Uma tarefa ainda a meio
Devagar que não sou pedreiro
Uma pausa de estômago cheio
A brincar com um cão rafeiro

Subiu-me à cabeça o Porto
Sentado no fresco do Alpendre
Se me levanto vou andar torto
Como a paisagem que se estende

Escrevo a esquivar-me das moscas
Do martelo e do cinzél
Que está uma tarde ensolarada

...e os desenhos de pedras toscas
que me inspiram o papel
Atrazam o fim da calçada

Santa Eugénia (Alijó) 13/08/2007


A VIAGEM VAI LONGA

Já vai longa esta viagem
A maior da minha vida
Se o mar já foi a paisagem
A montanha também me é querida

Hoje assinalo uma data
E lembro tudo o que fiz
De gravata ou de bata
Mas quase sempre feliz

O Sol hoje é o meu presente
Já foi o Mar, tem sido o Rio
Memórias que cá ficaram

A vida lá segue em frente
Com aventuras de fio a pavio
...e já trinta e sete anos passaram!

Santa Eugénia (Alijó) 14 de Agosto de 2007. -Parabéns a mim!

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