in dubio pro reo
Adenda (13/03/2012): Nunca mais inventam dias com 30 horas... hmmm...
Sent from my Nokia
Se tivesse tentado planear o dia da forma que o dia me está a correr, não teria conseguido… Assim, porque a conta das viagens se perde no passar dos anos, face às ocorrências e incidências e às suas –ponderadas- consequências, ponho excepcionalmente a experiência de lado e deixo os acontecimentos guiarem o meu caminho. De uma forma ou de outra sei que vou chegar ao destino, é tudo uma questão de me focar no “como”, mais do que me preocupar com o “quando”. Dizem que a primeira vez nunca se esquece… certo, até pode ser que eu nunca me esqueça desta primeira vez, mas pouco ou nada pretendo aprender com o dia de hoje, nada que me venha a ser especialmente útil no dia de amanhã nem nada que não tivesse já aprendido... ou não!
Os 10 euros chegaram para ter ido ao crava de metro almoçar ao Porto e pagar uma sandocha a um pit’chaúba, e ainda para tomar café e comprar um jornal.
Lembro-me de outra, em que numa escala no Paraguai saí da zona internacional do aeroporto, e depois só consegui voltar a entrar saltando a rede de acesso à pista. (Lisboa >>> S. Paulo >>> Santiago do Chile). Por fim, lembro-me em 94, numa viagem Lisboa >>> Londres >>> Lisboa, a primeira de muitas, no regresso haver uma decolagem abortada com direito a evacuação do avião pelas mangas de segurança para a pista, com neve pelos tornozelos…
Não obstante, confesso que a vaidade puxou o lustro ao veludo da bombazine camel do fato, e mesmo que nenhum participante tenha reconhecido o nó Double Windsor da minha gravata - porque não me revejo nos nós largos, estereotipados, assimétricos e grosseiros que os putos usam em Lisboa para se parecerem uns com os outros - pelo menos ouviram tudo caladinhos e aparentemente interessados, e se forem espertos, assimilaram alguma coisa. Contudo, estas iniciativas são sobretudo feiras de vaidades, e quando cheguei ao parque de estacionamento, no meio de tantas dívidas da Baviera e de Estugarda e de Leasings de empresa, só eu reparei que o meu velhinho Uno da Fabbrica Italiana Automobili de Torino desfilou orgulhosamente vermelho pelo empedrado, com todo o alento de ser meu e de já estar pago, e possivelmente também por eu o acarinhar intimamente com analogias comparativas com Peugeot 303 coupé cabriolet pininfarina do Tenente Columbo, sobretudo quando preciso que ele tivesse mais uns quantos centímetros cúbicos no motor Fire, e levo a 5ª ao red line como quem chicoteia com os ponteiros do relógio um cavalo que já leva o freio nos dentes. Caixinha de fósforos voadora.
Big Smile, ganhar é ganhar. Arrumei o dinheiro no bolso do sobretudo e vim-me embora, sacar aquele bingo tirou-me a pica toda que estava a ter em ficar sempre a uma ou duas bolas de o conseguir. Com o lucro de 4 euros comprei um maço de tabaco, que já não comprava há vários dias.
Ao descer a avenida fumei meio cigarro que me deixou a mão gelada e fiz-me à ponte do Infante em direção à autoestrada… eram perto de 3 da manhã quando me apercebi que deixei escapar a saída para Feira/S. João da madeira (algum prenúncio, pensei) e gramei 15 Kms extra até à saída de Estarreja para ter que voltar para trás pela N1. Estacionei o carro na rua, à porta do prédio, na ilusão de me levantar mais cedo para o descarregar antes de ir trabalhar sem ter que o ir buscar à garagem… Tenho assim uns pensamentos lúdicos quando estou cansado. Depois deitei-me, exausto, por uma última vez no colchão no chão a pensar que é dia de escola e teria que me levantar daí a 4 horas… Adormeci instantaneamente, como sempre. Se tivesse conseguido ficar uns momentos acordado a meditar teria pensado que mereço espairecer de vez em quando, muito de vez em quando, incidentalmente desta vez não esperei pelo fim-de-semana.
Fiquei a saber que para além de mais de 80 canais de borla, cortesia de quem cá morou antes e não deu baixa do serviço, tenho um canal de putêdo e esfrega-e-não-molha a passar ais e uis em horário nobre. Mas também o televisor só tem memória para 39 canais e eu de qualquer forma mal o ligo que não seja para ver o telejornal ou a bola...
Ficou combinado um copo sine die, até porque aquele Novembro em Dezembro se mantém, e por uma questão de coerência de princípio impeço-me voluntariamente de me posicionar, a história da carne ser fraca é coisa que deixo para outros prados... Depois de elas terem saído liguei à minha amiga de 40 anos para ver se tinha chegado bem a casa e se a formação a que ela foi tinha corrido bem. Gosto de conversar com ela, tem uma voz meiga que me soa muito bem ao ouvido... Foi um telefonema breve. Depois liguei à minha irmã e ao meu advogado (long story) e contemplei começar a preparar a viagem de trabalho à Argélia... Escolhi um CD da Sade para o efeito mas em vez de iniciar um estudo de mercado dei comigo a viajar pelo meu Curriculum Vitae, por algumas de tantas viagens que já fiz (nota mental para renovar o passaporte ASAP), e de como o Magreb me calha sempre na rifa... Da Argélia até começar a escrever no blog a despropósito foi um tirinho, essa viagem é só em Maio, tenho uns momentos para escrever sobre o tempo que passa no relógio da memória, enquanto aguardo o reencontro com a normalidade...

Bom, misturar tudo no blender (laranja com casca e tudo), aplicar uma leve pitada do meu secret ingredient, corrigir a espessuar da massa com um fiapo de leite, e impedir-me a ferros de comer aquilo tudo à colher mesmo cru. Depois untei uma forma de tupperware com margarina, coloquei 9 minutos no power máximo e ficou a casa toda a cheirar a laranja. Pelo meio abrandei a potência alguns segundos por cada minuto porque tive medo que o bolo crescesse tanto que fosse tocar na grelha superior do microondas... e ainda queriam que eu pusesse uma colher de fermento - ah pois, que essa é outra, "1 colher", mas que raio de medida é essa? É uma colher raza ou uma colher cheia? É porque se for de farinha, por exemplo, faz toda a diferença na quantidade! Adiante. Não sei se leve o bolo para o trabalho para partilhar com as minhas colegas ou não... Aqui há dias levaram uns bolinhos caseiros deliciosos, e todos os dias bancam bolachas para mim. Mas com este cheirinho bom na casa toda desconfio que o bolo não vai sobreviver até amanhã.