quarta-feira, janeiro 19, 2005

Do princípio...

Não me lembrava que esta rua era tão mal iluminada..." O taxi que me deixou ali deu a volta na entrada de um portão e passou por mim devagar deixando 2 trilhos escuros no lençol de neve que cobriu o asfalto. Se estivesse em portugal aquela hora ainda seria de dia, mas ali tinha 2 horas de noite a mais, um bonús!

Avançei com passos determinados enterrando a sola das botas na neve fôfa que enrigessia sob cada pegada marcada no chão. Não me lembrava do número da porta, acho que nunca o soube, mas sabia que ia reconhecer o local quando lá chegasse.

Que deserto, não se via vivalma na rua, não se ouvia mais do que uma leve brisa a acariciar os galhos despidos das árvores... Sintia o frio da noite encher-me os pulmões. O fumo do meu cigarro desenhava-se no ar sem esvanecer.

"É aqui!" Reconheceria esta porta de olhos fechados e só cá estive meia-duzia de vezes. Às vezes penso que gostava de conseguir aproveitar melhor esta memória fotográfica com que estou equipado...

"Será que devia ter telefonado a dizer a que horas chegava?"

A campainha tocou sobre a pressão do meu dedo, dois toques curtos, como sempre...



trin, trin...



Depois silêncio.



trin, trin... insisti



Afastei-me. "Não vou tocar mais, devia mesmo ter telefonado, vou ter que secar, está um briól desgraçado!". Continuei a descer a rua, nunca tinha ido para aquele lado da rua e sempre tinha sentido curiosidade para saber o que era o néon que se via ao fundo, depois das quatro-estradas.

Era um coffee-shop, claro!

Passei a porta exterior e bati com as botas no tapete de arame, tirei o casaco para sacudir a neve e entrei.

Dirigi-me ao balcão como se estivesse a entrar no hall da minha casa, de passagem por uma mesa atirei o casaco para uma cadeira e peguei no cardápio... De tantos nomes em Holandês um sobresaiu aos meus olhos ainda não acostumados à meia-luz.

Levantei os olhos e pedi um café, um pacotinho de "Doom Flower" e mortalhas king-size. A empregada era gira...

Sentei-me e entreti-me a fabricar, copiosamente, como um artesão. Passaram uns 20 minutos, em camera lenta, a música interferiu comigo docemente, como eu gosto...

O meu telefone vibrou em cima do tampo da mesa, atendi sem olhar para o visor...

"Olá, chegaste bem? Já estou em casa, vens cá ter?..."

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