quarta-feira, agosto 31, 2011

Red round cap

Como saber vestir uma carapuça? Melhor, como saber identificar se as carapuças atiradas ao acaso do éter nos são dirigidas? Como se servir de uma carapuça que nos aterra ao colo mas não nos serve nem na ponta do... nariz? O Ego, o nosso ego, intimo reflexo da imagem que fazemos e projectamos de nós próprios, molda-se ou enrijesse ao sabor do nível de auto-estima que vestimos a cada dado momento, mas é ele, o ego, quem mais anda atento às carapuças, e ao efeito que determinadas cores nos acentam melhor ou pior, nos elevam a auto-estima ou nos deixam de rastos com se as carapuças fossem feitas de malha de aço ferrujento.
Criamos alter-egos, interpretamos o nosso reflexo num espelho como se de uma interacção com outrém se tratasse, ensaiamos discursos e gestos, programamos atitudes reflexas e condicionadas, arquitetamos estratagemas hipotéticos, perdemos peso ou vemos uma imagem deusificada pela deturpação da mente afectada, e que por isso cria o alter-ego... e porquê?
Sobrevive-se com o ar que se respira, batalha-se com as armas que se tem, mudamos de carapuça e de ego e... e reinventamos uma fotocópia de nós próprios, olhamos para dentro e vemos o que gostariamos de ser, e vestimos essa pele como uma fantasia de carnaval, projectamos uma imagem, enganamo-nos a nós próprios. Note-se o "nós" real, porque por mais que emitamos pareceres e juizos sobre os outros na facilidade salvaguardada da 3ª pessoa do plural, a verdade é que apenas nos enganamos a nós próprios, uns mais do que os outros, depende da carapuça que usam. Dá de facto alguma vontade de rir... o que faz pena.

Olhares

Olhas para mim à distância
E só vês vontade de rir
Nota que escrevo à ganância
Porque escrever me faz sentir

As palavras que lês de mim
Mesmo sem me conhecer
Tens razão é mesmo assim
Servem para me convencer

Mas tu lês o que escrevi
Como se eu fosse as palavras
Quando o que escrevo aqui
São apenas algumas lavras

E absorves a escrita almejada
Como dum osso o tutano
Olhas mas não vês nada
Que uma gota não é oceano

Tiras-me a fotografia
Fazes de mim julgamento
Mas só escrevo o dia-a-dia
Se pensares por um momento

E o que escrevo não faz lei
É só vontade de escrever
Sobre uma coisa que eu sei
Que se chama sobreviver

Que eu mostro ao mundo o que sinto
Quando estou apaixonado
Por isso não acho que minto
Se mostro estar magoado

Tu olhas mas não queres ver
Que estou a tentar avançar
Mas não me basta só querer
Porque o querer vem do sonhar

Então continuo a escrever
Sobre tudo o que conseguir
Quem sou, o que sinto e o que vi
E se não queres compreender
Aquilo que me faz rir
Também me rio de ti


0 passageiros clandestinos:

Chamar a hospedeira para Postar um comentário

<< Regressar ao cockpit