quinta-feira, junho 05, 2008

The memory remains

“Pareço bonzinho a falar assim”
Escrevi esta frase aqui há dias, e fiquei com ela na cabeça. Que grande otário!
É de facto paralizante o conflito de emoções que sinto, é paralisante, desgastante, martirizante e mais uns quantos “...antes” que não vale a pena estar agora a enumerar.
Como costumo dizer “quem nunca passou por elas vê as coisas por um canudo”.
Ou melhor ainda, e porque isto agora é sobre mim, como já me disseram, “Só não te compreende quem nunca teve que carregar o peso dessas caixas com coisas para devolver”!
Obrigado, na altura mal consegui acabar de ler a frase, quanto mais assimila-la... Mas obrigado pelas tuas palavras, ilustre desconhecida.
Desabou o mundo nos meus ombros e eu apenas consegui rebuscar a memória em busca de um entendimento capaz de aliviar a dor. Dias sem fim, noites em branco, lágrimas vertidas, sofridas, tortuosas... O amor é mais espesso que o sangue. É incondicional.
Caí no limbo da incompreensão, como é possivel alguém ser o meu super-amendoim e ao mesmo tempo a minha Kryptonite?
...e o mais engraçado no meio disto tudo (que não tem piada nenhuma), é que por muito adulto que se julgue que se é, por muito que se brade ao vento que se tem certas responsabilidades, que se é assim ou assado e que se sabe muito... Por mim, por muito que tenha como mulêta a minha experiência passada, a realidade é que , tal como no Tango, é preciso 2 para dançar, e quando a musica pára, enquanto não entra o fado seguinte, faz-se 30 por 1 linha, torna-mo-nos pequenas crianças de escola, imaturos nas reacções, crueis e agressivos, vamos contra a nossa natureza e contra todos os nossos instintos e sentimentos ...e para quê? Porquê? Para se ter razão? Para se parecer bem perante os outros? Para se ter o reconhecimento que nos foi negado quando fomos felizes, para só no-lo ser dado quando finalmente cedemos à pressão e ao ostracismo a que nos votaram? Só posso falar por mim, mas não sou cego, e o mundo não é cego... e o pior cego é aquele que não quer ver...
Que se fôda ter a razão!
É tão simples como isto: Um teimoso e um orgulhoso a discutirem pela mesma causa, pelo mesmo objectivo... Mas esta divagação não é para agora, neste momento tenho um turbilhão de ideias a crepitar na mente, considerações sobre o que foi dito e o que foi feito, e como isso são coisas opostas. Passa-me pela cabeça que está tudo a ser feito à cão, desnecessariamente, afinal as pessoas conhecem-se bem, é fácil distinguir uma atitude artificialmente ampliada, tal como uma atitude reciprocamente artificial da minha parte só serve para tapar o Sol com uma peneira... Pensarei nisto noutra ocasião, noutro formato, não pode ser feito a quente, nada se resolve a quente, e o que se resolve a quente geralmente dá merda. Acho que seria mais ou menos isto que um tal de Amadeu Eduardo, que tanta falta me faz, e mais alguém que não conheci, mas que também cá faz muita falta, me teriam dito.
Obrigado Papá. Obrigado por... pela memória que guardei de ti.
Valha-me o jogo de cintura, a capacidade de compreender que as pessoas em momentos de stress cedem à pressão, transformam-se, perdem o controlo e a vontade própria... Eu compreendo isso tão bem, tomar-se uma posição insegura e reforçá-la junto do mundo para se convencer a sí próprio, e a embriaguêz da atenção toda que se recebe de repente de todos os amigos, dos verdadeiros que nos fazem pôr a mão na consciência, e dos falsos, que até mostram os dentes após anos a mostrar as costas, e ainda outros bem mais que amigos, mas provavelmente algo falsos também, gente que quando foi preciso nunca lá estiveram, pelo contrário, condenaram, acusaram, manipularam, e quando levaram com um manguito nos olhos, atropelaram-se para ostracisar quem deles apenas queria amar e ser amada, ser aceite sem ficar condicionada e excluida devido à escolha que fez...
Vi-a sofrer, aguentar, lutar, chorar...
Doeu-me como se fosse na minha pele, cortou-me por dentro!
Mas o tempo tudo cura, e tudo se perdoa, e boa sorte um beijo e um queijo.
Sim, fui magoado, gratuitamente, deixei que me magoassem, suportei privações e humilhações, insultos directos e indirectos, pessoalmente dirigidos a mim, e mesmo insultos quase imperdoaveis, dirigidos ao meu nome, à minha herança familiar, aos meus genes (mas quem é que se dá ao trabalho de insultar o ADN de outra pessoa?). É que a ironia é mesmo essa, se as pessoas olhassem para si próprias e para os seus antes de apontarem o dedo para os outros, isso é que era.
Ocorre-me uma letra de Marillion, sempre Marillion.
“And you list all the qualities
That you despise
And you realize
You’re describing yourself…
And breaking someone over the side
Is your only source
Of pride”

Aguentei como pude, engoli em seco, sapo atrás de sapo, dia após dia.
No meio disto tudo, ainda aparece outro factor. Sempre disse que não sou pessoa azarada, mas também não tenho sorte nenhuma...
...ao longo dos meses, acabei por me esquecer de mim...
Foda-se, como é que eu me fui esquecer de mim!?
Tenho rebuscado a memória, mas tenho procurado no periodo errado... Eu esqueci-me de mim no dia em que desisti de ser eu para passar a ser apenas metade de um todo...
- MAS EU JÁ CÁ ESTAVA ANTES!
Eu, tal como sou, amado e odiado, e puta que pariu o que gostassem que eu fosse.
Eu sou assim, sou puto da rua, sou adolescente delinquente, sou adulto feito!
Valham-me as memórias de mim, a experiência, o calo e o traquejo, a formação.
Já passei fome, já morei sozinho, já perdi um Pai, já tive desgostos e já dei desgostos, já tive tudo e já tudo perdi mas isso não é nada comparado com tudo o que já dei. Já caí e já me levantei, vezes sem conta.
Tenho apanhado mais pancada nos últimos tempos do que em todo o tempo em que julgava que era infeliz. Muita pancada, forte e feio, sem piedade, sem compaixão, sem honestidade sequer... Não sei explicar porquê...
Sei que resisti, aguentei o que pude, às vezes verguei, perdi umas e ganhei outras, mas no total saí lesado, foda-se, saí muito lesado! ...e é natural que esteja fragilizado! ...e não tenho medo de o mostrar ao mundo, não preciso de pintar uma realidade forjada e falsa, não tenho ilusões misturadas com sonhos e fantasias, nem sofro de um relógio biológico avariado que me provoque cegueira e me atire para cheap thrills que de terapêutico pouco têm, e que só acrescentam um ponto ao arrependimento que se sente depois, quando o futuro não tem retorno, e há tantos exemplos ao redor, e tão próximos, uns no passado, outros de que apenas se ouve falar, e outros ainda que toda a gente sabe mas ninguém ousa mencionar...
Não, agora basta!
Medo de quê?
Eu?
Mas eu estou com medo de quê?!
Não tenho que ter medo de nada, nada me assusta, já vi de tudo, sou imune, resisti até agora, resistirei outra vez.
Posso estar à beira de fazer TILT, mas vivo bem no fio da navalha... É a minha força, chama-se a isto Liberdade, palavras escritas sem ter que as gritar, com a canêta que é a minha baioneta, e consigo mais uma vez reencontrar em mim a coragem que preciso para aguentar. Esteve sempre lá, mesmo quando me perdi.
No meio de toda a amargura em que me vejo mergulhado, nas minhas palavras amarguradas, o que sobra é simplesmente o que já disse, e que mantenho, porque os meus sentimentos são genuínos, estarei sempre presente, mas não sofro de conveniências, à minha volta não há hipócritas de ocasião (porque a hipócrisia é um sentimento côxo), pessoas que só estão ao nosso lado quando lhes prestamos vassalagem, por isso façam lá o que quizerem, digam o que disserem, que por mim, para não os mandar todos foder, quero mais é que vão apanhar onde elas mais gostam! Não me escolham para inimigo, não sou flor que se cheire, sou animal ferido, vergado seja, é mais facil para apanhar os cacos de mim espalhados pelo chão, mas não estou quebrado! Enterrei o machado-de-guerra, mas o cabo ficou de fora.
E não sou má pessoa, sei que não sou, quase me fizeram acreditar que eu não valho nada, mas não, recuso-me a aceitar, porque eu sei o que sou, sei do que sou capaz, sei o que quero e sei como lá chegar, sei que sou forte, e tenho mais uma cicatriz na alma para o provar! Esta é a verdade inconveniente, é o que faz muita genta confundir frontalidade com provocação.
...e quando tudo o resto falhar, quando a febre passar, quando voltar a haver vontade própria, se o mundo se voltar de costas outra vez, eu cá estarei, firme e hirto. Mantenho a minha palavra.
Porque por muito que o Verão possa ser quente, o Inverno é sempre longo...
...e eu estarei aqui.
É isto que eu sou.
831F

Este Blog deixou de fazer sentido

7 passageiros clandestinos:

Anonymous Cleidiana chamou a hospedeira e disse:

Já é o segundo comentário que deixo (acho eu =P) a elogiar o seu (teu?) blog!
Venho cá de vez enquanto porque tenho sempre a certeza que vou encontrar qualquer coisa interessante e adivinha? Encontro sempre!
Tem (ou tens? =S) um dom incrivel de lidar com as palavras, parabéns!
Ja pensou (pensaste? =S) em escrever um livro? Pelo menos uma leitora ja tinha =)
Mais uma vez, parabéns!

10:48 PM  
Blogger Curiosa chamou a hospedeira e disse:

Embrenhada nas palavras que lia, dei comigo a vaguear nas minhas memórias arrumadas no fundo do baú.

Tens fibra.

2:43 AM  
Blogger Rantanplan chamou a hospedeira e disse:

Tu sabes que eu sei o que estás a passar. Quando a dor é nossa, doí sempre mais do que a dos outros. Duas coisas eu posso partilhar contigo. Queres primeiro a boa ou a má? A má é que o tempo não cura nada, isso é um estribilho para nos aguentarmos. A boa é que esse tempo vai mostrar que quem magoa perde um bocado de si, quem sai magoado vai ganhando bocados novos dos bons. No fim de tudo, num futuro remoto, feitas as contas antes de partirmos todos desta vida, esse balanço vai ser justo. Essas pessoas que nos magoaram forte e feio vão ter um passivo maior do que a inflação do Zimbabwe. Enquanto isso, os gajos como nós morrem bastante equilibrados nas contas e segundo fontes seguras às portas do Purgatório existe uma espécie de Comissão ou Comité Económico e Financeiro que avalia essa situação orçamental e com base nela arruma a malta nos dois elevadores possíveis. O que só sobe e o que só desce. Nós somos os gajos que sobem sempre, nem que seja pelas escadas caralho!!!

4:48 PM  
Blogger Slinkman chamou a hospedeira e disse:

As relações são o caralho... mas..

"I realise I hold the key to freedom / I cannot let my life be ruled by threads..."

Bom blog, boa escrita!

Abraço

5:22 PM  
Anonymous Guida chamou a hospedeira e disse:

Acompanho os teus blogues há mais de 2 anos. Gosto mais de ler do que escrever e se calhar é por isso que não uso um blogue. Hoje quebro uma regra e faço um comentário, que é quem não te quer bem não te merece. Podes estar a sofrer agora e estar cego com essa incompreenção de que falas, mas por mim tu és compreendido, basta ler-te. Sê forte e não te deixes ir abaixo. Nunca desistas de lutar pelo que queres e varre da tua vida aquilo que não precisas. O mundo devia ter mais homens como tu. Sempre que faltar uma palavra de alento ou um ombro tens aqui uma amiga.
Vê o teu email.

8:07 PM  
Blogger Bina Ladina chamou a hospedeira e disse:

Porque é que eu me vi aqui..
'Lixada' com o mundo, farta de nem sei o quê que eu não fiz nada mal..
Só sei que de um dia para o outro.. Não 'servia', não era a quem as pessoas queriam, nem nunca tinha sido :X
Juro que - neste momento - tenho medo e sinto que todo o mundo está ao contrário e só pergunto:
- O que é que se passa??

9:45 PM  
Blogger Piloto Automatico chamou a hospedeira e disse:

Respostas:
Cleidiana, tens um nome muito original. Obrigado pela sugerência... por acaso tenho 25 capitulos de um livro já escritos, faltam-me para aí outros tantos. Não lhe toco há mais de 3 anos, e também não é agora que o vou fazer, questão de prioridades.

Curiosa: Mais um comentário "curto e grosso", obrigado, és benvinda!

Rantanplan: Respondo-te ou no teu blog, ou pessoalmente (Boas férias, não te esqueças que te posso aparecer à porta a qq momento).

Slinkman: "The time has come to make decisions / The changes have to be made"
The Web - Script for a jester's tears. Muito apropriado. Volta sempre.

Guida: Obrigado pelo teu comentário, mas não me posso permitir pensar assim. Se alguém não me quer bem, eu automaticamente assumo que me quer mal, e reajo accordingly, o que acredita não é bonito de se ver. Não, eu prefiro ficar com a parte onde me dizes para ser forte e não me ir a baixo. Olha que eu sou forte! Quanto à tua oferta, o endereço de email que estava ali ao lado já não existe. Já o substitui (por pura curiosidade).
PS: Arranja um blog, olha que escrever é giro ;-)

Terrorista: Prazer em ver-te nestas paragens ao fim de tanto tempo.
A tua pergunta, tens que ser tu a responder no que te toca a ti. Porque pelo menos eu, que não acredito em maquinações do destino ou em forças superiores, sei bem o que se passa!
Bjs

12:45 PM  

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