quarta-feira, maio 25, 2005

Rubricas

Tenho o mau hábito de por vezes não ser conciso e objectivo no que quero dizer. Frequentemente encontro-me a divagar ou a contar grandes histórias de episódios passados para de uma forma mais ou menos pertinente tentar ilustrar melhor o que quero dizer.
Quem me conhece sabe como me fazer abreviar, quem não me conhece perde o fio à meada, quem não tem paciência irrita-se e quem gosta de me ouvir falar, delicia-se. A verdade é que geralmente falo assim, há quem lhe chame pedantismo e há quem me chame preciosismo. A mim é-me igual, é assim que eu falo.
A essa minha característica chamo “Descascar o eucalipto para chegar ao palito”.
Este post é um exemplo perfeito.
Quando acabei a Universidade, já lá vão 4 anos, voltei para Portugal com uma mão á frente e outra atrás, vinha meio afectado com um pseudo-divórcio que era fruto de um relacionamento que nunca chegou a ser casamento, mas vinha equipado de uma dupla-licenciatura de fazer inveja a qualquer doutorzeco desses que andam por ai a minar o tecido empresarial Português.
Cheio de garra e de iniciativa resolvi criar uma empresa jornalística e editar um jornal (de emprego e afins)… Fiz o projecto, arranjei um investidor, ia arrancar, mas… Fizeram-me uma proposta que na altura me pareceu irrecusável e vim trabalhar para o grupo de empresas onde hoje sou um dos Directores de Exportação.
No decorrer dos meses estabeleci-me de novo neste “cantinho à beira-mar”, desenvolvi trabalho, tirei uma pós-graduação e, entretanto, criei este blog por razões de que falei anteriormente, sem mesmo saber bem o que daqui ia sair.
Como se vê ainda aqui escrevo, talvez com mais regularidade do que a minha consciência permite, mas a verdade é que se tornou um espaço personalizado e integrante da minha actividade quotidiana. Confesso que tenho algum brio no meu blog, gosto dele, gosto de escrever e de ler os comentários que recebo, faço actualizações regulares no design do template, no formato e no conteúdo.
Os mais atentos (ler os mais assíduos) já terão reparado que há 2 ou 3 rubricas que são recorrentes, aparecem de vez em quando, sem agenda nem escalonamento, são espontâneas, assim:

Offline: Que são escritos em momentos de intensidade emocional intrínseca, sem estar ligado à Internet, dos quais só publico o post à posteriori.
Ouvido no corredor: São citações de conversas que inadvertidamente ouço, por vezes sobre mim, geralmente nos corredores da empresa onde trabalho ou noutros corredores, mas que ilustram o estado circunstancial dos meus dias.
Interferências: São as que me dá mais gozo escrever e postar, são o mote do contexto que quero que tenha este blog, divagações minhas, emoções que transbordam para a escrita, podem ser longos “testamentos” ou pequenas frases incisivas. Sou eu, Francisco, nu e cru, voluntariamente dissecado, incognitamente exposto.

Ora da vontade contínua de estruturar um espaço que começou por ser selvagem, decidi criar mais umas quantas rubricas e fazer indicação das mesmas na coluna lateral. Estas rubricas sobraram de algumas ideias que eu tinha para o projecto jornalístico que um dia abandonei, mas que serão alvo de post no meu blog sempre que forem pertinentes, a saber:

Pequenas Ilegalidades: Exposições de situações ilegais, geralmente lúdicas mas por vezes abusivas, que infelizmente caracterizam uma larga camada da nossa sociedade, e que ainda por cima caíram na resignação e aceitação geral, tornando-se impunes.
Peão Invisível: Testemunhos ocasionais de situações bizarras do quotidiano de qualquer transeunte ou qualquer condutor que se aventure nas estradas portuguesas.
Caricatuga: Uma sátira tanto quanto possível ao espírito de Tuga, pós-revolucionário, neo-democrático, febril-de-liberdades, faz-nenhum e coça-a-barriga. Poderá incluir sátira política.
Dito em mil palavras: Um espaço imagem, está na moda e eu gosto.
Comentário a…: Comentários sobre blogs.

Vou gostar de tentar fazer isto assim, talvez me ajude a desenvolver mais a disciplina mental que desenvolvi ailleurs, mas que me esqueci de trazer comigo num belo dia de Sol em Julho de 2001.

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