terça-feira, abril 05, 2005

Toco-te e respiras.

Foi o meu Padrinho quem escolheu o meu nome.
Por altura do 6º mês de gravidez da minha Mãe, ele e o meu Pai conjecturaram um nome para mim, o puto vindouro e desejado que ao fim de 6 raparigas iria ser o Varão e dar continuidade à familia. Estavamos em 1970.
O meu Padrinho (primo direito do meu Pai), fora Padre, um Padre especial, um Padre cantor. Contudo, no ano em que eu nasci, ao fim de vários anos de sacerdócio, ele já não era Padre, mas o meu nome foi escolhido tendo em conta alguns preceitos religiosos: Tenho nome de Santo, Francisco, em honra a S. Francisco de Assis (o Amigo dos animais).
O Meu padrinho também se chama Francisco, era amigo íntimo e da mesma trupe do Zeca Afonso e desde muito cedo se opôs não só ao regime de Salazar como às posições de anti-laiquismo da Igreja Católica Portuguesa na pessoa do então Cardeal Cerejeira.
Dadas as posições que assumiu e o trabalho social que desenvolveu pelos operários numa pequena paróquia lá para os lados do Montijo, foi excumungado pelo Cardeal Cerejeira (que aliás lhe fez a vida negra) e perseguido pela PIDE.
Já não vejo o meu Padrinho à 13 anos, pouco depois do 25 de Abril ele retirou-se para um monte alentejano onde constituiu familia e vive uma vida descansada.

Padrinho Xico, Padre Fanhais, Francisco Fanhais, hoje fiz justiça ao nome que me deste, hoje salvei outro animal.

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