segunda-feira, janeiro 03, 2005

Quero (em verso)

Quero ver o sol nascer

Antes da noite morrer

E cegar a minha vista

De tanto o sol fixar

Para que a noite resista

Antes do dia chegar



Quero sentir-me no mar

E para longe nadar

Como uma baleia de porte

Do arpão frio fugir

E rumar direito ao norte

Leão marinho a rugir



Quero perder-me na floresta

E viver o que me resta

Numa árvore encantada

Deleitar-me com a maçã

Matar a serpente malvada

Com o orvalho da manhã



Quero abandonar a cidade

Envelhecida pela idade

Para não ser um cidadão

Num automóvel veloz

A rolar no alcatrão

E matar num crime atroz



Quero voar em Fevereiro

Apagar um ano inteiro

Sou uma águia a voar

E viajo pelo céu

Livre para aterrar

Sem ter medo de ser réu



Quero ver neve a cair

Ter vontade de sorrir

Encostar-me naquele peito

E sentir-me protegido

Com a mulher com que me deito

A murmurar-me ao ouvido



Quero ser só eu

Francisco, Paco ou Amadeu

E gritar ao infinito

Berrar e ficar rouco

Unido num só grito

Este meu nome de louco

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