terça-feira, junho 07, 2005

Pela hora da morte

Descemos a rua desde o prédio do escritório dela até a zona ribeirinha da Expo. Para fugirmos ao Sol escaldante do meio-dia entramos na Gare do Oriente, descemos as escadas rolantes e atravessamos o tunel em direcção ao piso inferior do C.C. Vasco da Gama.
A conversa estava animada, pessoalmente senti uma satizfação enorme em estar na companhia dela naquele momento, valeu a pena vir almoçar a Lisboa.
Já lá dentro, a minha atenção desviou-se do que ela me estava a contar ao aperceber-me que passavamos por vários policias e por outros individuos de bata branca e de luvas de cirurgião. Ao fundo, em frente ao Hipermercado, uma tira azul listrada acente em pequenos pilares isolava um biombo de tecido branco que mal escondia um vulto caido por terra, que um pano branco cobria.
Interrompi-a:
"Espéra ai, está ali alguém morto ao pé das caixas do Hiper..."
"Que impressão..."
"Será que foi algum crime...?"
"Nãh, deve ter sido do choque ao ver a conta das compras!"

(Consegui não dar uma gargalhada)
Passamos e olhamos mas não paramos, curiosamente não havia nenhum ajuntamento de mirónes curiosos como seria de esperar.
Pelas conversas de quem se cruzou connosco percebi que alguem teria tido um ataque de coração. Não comentamos muito o macábro da situação, continuamos a caminhar e fomos almoçar.
Comemos uma sandes vegetarianas bem boas, fomos ao banco, vimos montras e passadas 2 horas fizemos o caminho inverso...
...e aquela cena estava lá ainda toda montada, casualmente, como se fosse um stand de uma promoção qualquer.
Passou-me pela cabeça que o Delegado de Saude responsavel pela zona devia estar a almoçar, doutra forma não percebi porque terão passado pelo menos 3 horas desde que alguém teve morte súbita num local público até o cadáver ser removido para o I.M.L. ou para outro sitio qualquer

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